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Advis faz cisão de negócios, e dá origem a duas empresas

Por Luciana Seabra

O inferno astral da Advis, que em um ano perdeu R$ 7 bilhões de patrimônio, acaba de culminar na cisão dos negócios da companhia. O braço de gestão de fundos, que tem R$ 2 bilhões em ativos, separou-se da gestora de patrimônio, com R$ 1 bilhão, que passa a se chamar Tribeca.

Alexandre de Zagottis e Eduardo Bodra continuam à frente da asset e Eduardo Haber, no comando da gestora de patrimônio, mas em uma estrutura separada, segundo apurou o Valor. Fontes de mercado contam que os três sócios principais da casa entraram em conflito sobre a precificação de suas participações, já que a área de gestão de patrimônio tem margens mais apertadas do que a de recursos. A Advis nasceu em 1997 como Advisory, uma consultoria financeira sob o comando de Haber, e incluiu o serviço de gestão de fundos em 2005, com a chegada de Bodra e Zagottis.

Advis e Tribeca confirmaram a cisão dos negócios. Houve um descruzamento de participação societária, em que os sócios da asset que não participavam do negócio de administração de fortunas deixaram essa sociedade, o mesmo valendo para a gestora de patrimônio, segundo informou a Advis. A separação, apontou a casa, foi decidida no comitê executivo e resultou do entendimento de que a natureza dos negócios é diferente, ao contrário da ideia inicial de que haveria sinergia.

O objetivo agora, segundo a Advis, é focar na gestão dos fundos. O ano foi difícil em termos de rentabilidade e resgates, reconhece a casa, mas não será motivo para mudar os processos de investimento até então implementados. A maior parte das carteiras da Advis está fechada para aplicações. O Enduro, aclamado multimercado da casa, teve prejuízo de 4,82% no ano passado, depois de cinco anos consecutivos de ganhos superiores a 15%. Depois de ganhar 58,3% em 2012, o Advis Total Return, que investe em ações, perdeu 0,8% no ano passado. No ranking de gestão de recursos da Anbima, a Advis passou da posição 23ª ao fim de 2012, quanto reunia patrimônio de R$ 9 bilhões, a 80ª em janeiro deste ano (R$ 2 bilhões).

Com a cisão, Advis ficou com 35 funcionários e a Tribeca, com 20. Os dois negócios já funcionavam em edifícios separados, mas próximos. Agora a Tribeca busca uma nova sede. De acordo com a gestora de patrimônio, a possibilidade de separação era discutida há um ano e meio no comitê executivo e foi efetivada por uma questão de direcionamento estratégico.

A Tribeca aposta na verticalização para oferecer diferentes serviços aos clientes. Sendo assim, não descarta a possibilidade de voltar a ter futuramente o serviço de gestão de fundos, ou até um segmento de fusões e aquisições. Uma novidade é uma plataforma mais ampla de títulos de renda fixa. O foco são famílias com R$ 3 milhões a R$ 20 milhões de patrimônio. Hoje, a casa tem 600 clientes.

Em meio aos fundos em que aloca recursos dos clientes, segundo a Tribeca, ainda estão carteiras da Advis. As duas casas negam ter havido briga entre os sócios.

Fonte: Valor Econômico de 19.3.2014.

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