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Ações mexicanas empolgam investidores

Por Laurence Iliff e Georgia Wells

Enquanto outros mercados estão paralisados, as ações mexicanas continuam seguindo em frente. O índice do mercado de ações do México, o IPC, vem tendo um desempenho recorde. Ele acumula valorização de 9,36% em 2012, mas o ganho em dólares é de 15,90%, fazendo o México um dos mercados emergentes de melhor desempenho. A bolsa brasileira tem alta de 4,10% no ano – em dólares, o resultado é de baixa de 3,24%.

Anteriormente, neste ano, as ações mexicanas foram conduzidas em grande parte pelo entusiasmo dos investidores com as eleições presidenciais de julho, vencidas por Enrique Peña Nieto, que trouxe consigo a promessa de mudanças favoráveis ao mercado. Agora, o rali está demonstrando persistência, enquanto os investidores concentram suas atenções no crescimento da economia conduzido pelo setor industrial, na crescente pegada regional de algumas companhias mexicanas e na expectativa de uma expansão do crédito ao consumidor – muito embora os laços próximos do México com a economia dos Estados Unidos continuem sendo uma preocupação, segundo afirmam muitos investidores e analistas.

“Definitivamente as perspectivas para o futuro são boas”, diz Geoffrey Pazzanese, que administra o InterContinental Fund (com ativos de US$ 540 milhões) da Federated Investors, que tem em carteira ações de países desenvolvidos e em desenvolvimento. Pazzanese tem 10% da carteira alocada em ações mexicanas, em comparação ao peso de 1,2% no referencial do fundo, o índice MSCI All Country World ex-U.S., o que faz do México sua maior aposta. Seu fundo acumulava valorização anual de 11% até quinta-feira passada.

E, dado o tamanho da preocupação com o peso das dívidas, na esteira da crise da zona do euro, a baixa relação de endividamento sobre o PIB do México e a redução do déficit comercial também são forças positivas, acrescenta Pazzanese. “Do ponto de vista fiscal, o México está em grande forma.”

A economia mexicana cresceu 4,1% no segundo trimestre, em meio a uma forte demanda doméstica.

Alguns analistas, porém, afirmam que o crescimento está ameaçado pela dependência que o México tem dos EUA, que compra 80% de suas exportações. Recentemente, o HSBC reduziu sua estimativa de crescimento para a demanda doméstica mexicana em 2012 de 5,1% para 4,3%, citando a recuperação instável dos EUA.

E alguns investidores acreditam que as ações mexicanas já estão caras demais. “As avaliações estão muito altas e acreditamos que há espaço para desapontamentos”, afirma Allen Conway, diretor de ações de mercados emergentes da gestora de ativos Schroders PLC. Com uma relação de preço sobre lucro (P/L) de 17, as ações mexicanas são as que estão mais caras entre os mercados emergentes, acrescenta ele.

Mas, depois de passar anos à sombra de outros mercados emergentes, especialmente o Brasil, o México agora está com mudanças domésticas potencialmente amplas trabalhando a seu favor, segundo escreveram no começo deste mês, em uma nota de análise, analistas da Nomura Securities. Entre essas mudanças estão uma maior flexibilidade no mercado de trabalho e uma reorganização tributária que eram parte da plataforma de campanha de Peña.

O México poderá superar o Brasil como maior economia da América Latina em uma década, afirma a Nomura, na medida em que as mudanças no país são aceleradas e seu setor industrial se expande, enquanto que o Brasil luta com sua dependência das exportações de commodities e da demanda chinesa. A Nomura prevê que o PIB mexicano vai crescer 3,7% este ano, contra 1,9% no Brasil. O Federal Reserve, o banco central dos EUA, prevê um crescimento de 1,9% a 2,4% para o PIB americano.

“O México parece bastante atraente no médio prazo. Primeiro em relação a outros países da América Latina e depois em relação a outros mercados emergentes em geral”, diz Phil Langham, principal gerente de portfólios do RBC Emerging Markets Equity Fund do Royal Bank of Canada (RBC), que tem US$ 1 bilhão sob administração – sendo que, em 31 de julho, 4,7% de sua carteira era formada por ativos mexicanos. A série A do fundo teve um retorno de 4,1% até julho e mantém mais ativos mexicanos que o recomendado por seu índice referencial.

Sergio Martin, principal economista do HSBC no México, acredita que os preços das ações das companhias que obtêm a maior parte de suas receitas com a demanda doméstica continuarão relativamente imunes a arroubos de aversão ao risco nos mercados financeiros. Os mercados emergentes sempre ficam vulneráveis quando os investidores correm para ativos mais seguros, mas as ações mexicanas permaneceram defensivas nas grandes ondas de venda de agosto de 2011 e maio de 2012, observa Martin.

Por exemplo, a operadora de telefonia sem fio América Móvil acumula uma valorização de 9,7% no ano, em pesos mexicanos. O conglomerado industrial Alfa, um dos maiores produtores de peças de alumínio, produtos petroquímicos e carnes processadas do mundo, acumula uma valorização de 51%. E a ação da Coca-Cola Femsa, a maior engarrafadora de capital aberto do mundo, em termos de volumes de vendas, já subiu 21%.

Além disso, outro fator positivo para o mercado de ações mexicano, especialmente para as ações de bancos, é o baixo nível de penetração de crédito do país, segundo Langham, do RBC. Com isso, diz ele, os mercados de crédito do país têm espaço para um crescimento enorme, que estimularia o consumo e as ações dos bancos. Os empréstimos ao consumidor representam apenas 5% do PIB no país.

Heiner Skaliks, gerente de portfólio do Strategic Latin America Fund, acredita que o México verá um crescimento sustentado na demanda do consumidor, em meio a um melhor acesso ao crédito, que vai refletir nos resultados das companhias. Cerca de 40% dos ativos de US$ 27 milhões em investimentos desse fundo mútuo estão alocados em ações e bônus mexicanos. Ele vê os lados do México com os EUA como uma vantagem líquida. “Uma recuperação mais rápida que a esperada nos EUA terá um contágio positivo no México.” 

Valor Econômico de 20.8.2012.

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