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A meta agora é de 30 medalhas em 2016

Ricardo Galuppo – Publisher do Brasil Econômico

Os Jogos de Londres chegarão ao fim neste fim de semana e já se sabe que a meta de 20 medalhas traçada pelo Comitê Olímpico Brasileiro antes das competições não será alcançada. Paciência. Seja como for, houve conquistas importantes. A medalha de ouro inédita na ginástica artística, os bons resultados igualmente inéditos no boxe e a chance de, pela primeira vez, se sagrar campeão no futebol devem ser comemorados como feitos positivos.

Nenhum deles, no entanto, encobre o fato de que o país comete equívocos elementares na formação e no tratamento dado a seus atletas. O peso jogado sobre os vencedores é enorme.

A vitória que surge de surpresa nos Jogos de um determinado ano se transforma em obrigação nas olimpíadas seguintes – e o resultado é que poucos atletas conseguem dar conta da cobrança.

Tanto assim que é quase possível contar nos dedos de uma mão o número de bicampeões olímpicos produzidos no Brasil. Para quase todos os outros atletas, nadadores ou judocas que chegaram ao ponto mais alto do pódio, a vitória passou a ser cobrada como uma obrigação. E seus tropeços nos Jogos seguintes são vistos como fracassos.

É preciso estar atento a esse fato, sobretudo diante das projeções que já começam a ser traçadas para 2016. Mesmo diante do não cumprimento das metas para 2012, já tem gente falando na conquista de 30 medalhas no Rio de Janeiro.

Pelo ponto de vista das medalhas que o Brasil tem historicamente conquistado em Olimpíadas, o número parece uma enormidade. Já pela ótica do favoritismo que cerca os atletas dos países sede, o número pode ser considerado grande ou pequeno.

Depende de descobrir com quem um país com o potencial do Brasil deseja ser comparado. Nos Jogos de Barcelona, em 1992, os atletas da Espanha conquistaram um total de 22 medalhas, sendo 13 de ouro. Nunca mais chegaram perto desse resultado.

Os Jogos de 1996, em Atlanta, foram promovidos por uma potência olímpica, os Estados Unidos, que confirmaram o favoritismo com a conquista de 44 medalhas de ouro, num total e 101 conquistadas. A Austrália obteve 16 primeiros lugares em Sydney, entre suas 58 medalhas de 2000. A Grécia de 2004, em Atenas, obteve 6 ouros em 16 medalhas.

A China deixou de ser uma potência esportiva emergente para tornar-se um time olímpico de primeiríssima grandeza em 2008 e a Grã-Bretanha está registrando nos Jogos de Londres o melhor resultado de sua história olímpica.

Tudo bem: vamos reconhecer que não dá para repetir os feitos da equipe americana em Atlanta nem dos atletas chineses em Pequim. Entre os demais, é possível escolher se o Brasil quer ser como a Grécia e a Espanha, que se destacaram em casa mas não conseguiram repetir o feito nas edições seguintes, ou como a Austrália, que adquiriu nos Jogos que promoveu um prestígio olímpico que jamais a abandonou.

As Olimpíadas medem muito mais do que o desempenho e a qualidade atlética de um país. Elas avaliam, também, seu sistema de educação e sua economia. As metas olímpicas dependem do modelo de preparação que vier a ser adotado. E não das cobranças excessivas sobre os atletas mais talentosos.

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