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A corrida inglória dos investidores em busca de um refúgio contra a volatilidade

Por John Wasik

Os investidores de longo prazo mais experientes sabem que as ações são voláteis e conseguem lidar com isso. Mas e o pequeno investidor? E se ele quiser continuar no mercado acionário e, ao mesmo tempo, reduzir os riscos, evitando passar por um ano tão turbulento como o de 2008?

Você pode ficar tentado pelos fundos que se colocam na categoria de “baixa volatilidade”, embora o termo “volatilidade” seja uma falácia. Uma estratégia “low-beta” pode ser melhor. Beta é uma medida que os gestores de carteiras usam para determinar a variação de um ativo em relação à oscilação de um grande índice de mercado. Uma combinação perfeita com o índice é 1 [se o índice sobe 5%, por exemplo, as ações também sobem 5%].

Quanto menor o beta de um ativo ou de um portfólio, menos ele acompanha a variação de uma referência do mercado acionário, como o índice Standard & Poor’s 500 (S&P 500).

Entre 1926 e 2011, segundo a Ibbotson Associates, as ações de grandes empresas apresentaram uma volatilidade de aproximadamente 20%. As ações de pequenas empresas foram muito mais voláteis nesse período (32%). Quando você olha para os bônus soberanos de longo prazo, porém, a volatilidade cai para 9,8%. Com uma carteira de títulos do Tesouro dos Estados Unidos, ela recua para 3,1%.

Tenha em mente que estou me referindo à volatilidade histórica. Eventos como “crashes” relâmpagos e problemas técnicos, como o ocorrido recentemente com os softwares da empresa Knight Capital, são outro assunto. A volatilidade é sempre imprevisível em um ambiente de negociação de ações cada vez mais dominado pelas transações eletrônicas de alta frequência, que sempre ampliam os movimentos do mercado.

A maioria dos investidores pode assumir certo risco – oscilação de 20% nos preços não soa exagerado para os investidores de longo prazo mais experientes – para superar a inflação e formar um portfólio de aposentadoria razoável. A questão, então, é quais fundos devem ser escolhidos.

É muito fácil você se confundir, uma vez que uma onda de novos fundos surgiu no último ano alardeando baixa volatilidade, ações com dividendos elevados e risco de mercado reduzido. Os fundos “low-vol” [baixa volatilidade] tendem a chamar mais a atenção que as ofertas de carteiras balanceadas, com rendimento com ações (“equity- income”), e de dividendos elevados (“high-dividend”) – categorias de fundos que existem há anos. É preciso atenção, pois pode ser apenas um truque de marketing alardear que a nova classe de fundos é menos arriscada que as outras.

A classificação “baixa volatilidade” poder perder parte de seu apelo justamente quando há quedas no mercado global que acabam atingindo todos os ativos. Nesses casos, como todos os mercados estão reagindo simultaneamente ao que está acontecendo na Europa, Washington e Pequim, a volatilidade acaba prejudicando as carteiras de ações, seja qual for o nome delas, a qualquer momento.

Possuir um portfólio de ações que pagam dividendos é melhor do que ter papéis de empresas que não pagam dividendos. Mas isso não elimina o fato de que as ações continuam sendo muito mais voláteis que os bônus, por exemplo.

Fundos de baixa volatilidade normalmente são carteiras formadas por companhias maduras, que pagam dividendos consistentes. Elas estão sempre em setores estabelecidos como o de serviços públicos, saúde, produtos de consumo e bens duráveis. Você não vai encontrar muitas ações de tecnologia voando alto nesse pacote.

Quando você olha para as ofertas de baixa volatilidade populares, porém, elas podem refletir altas correlações com o mercado como um todo. O fundo PowerShares S&P 500 Low Volatility Portfolio ETF, por exemplo, tem um beta de 0,66. Isso significa que ele é menos volátil. Mas, mesmo assim, ele se movimenta quase sempre na mesma direção que o indicador de mercado para as grandes ações, com o qual possui uma correlação de 0,95.

Uma nova classe de ações “low-beta” não elimina totalmente o risco de mercado – nenhum fundo de ações faz isso -, mas há uma probabilidade menor de ela se movimentar em fileira cerrada com o S&P 500 quando ele cair. O fundo Russell 1000 Low-Beta ETF, por exemplo, tem um beta de 0,71, que significa que ele é mais de 25% menos volátil que o índice Russell 3000. O fundo acompanha um índice de ações de grande capitalização de mercado e baixo beta.

Mas às vezes os nomes dos fundos nem sempre contam a você toda a história sobre o risco de mercado. O Vanguard Dividend Appreciation ETF, com um beta de 0,82, concentra-se em empresas que aumentaram seus dividendos por pelo menos dez anos consecutivos. Embora esse seja um dos fundos de menor risco nessa categoria, ele não está imune a quedas. Em 2008, ele perdeu 27%, em comparação à queda de 37% do índice S&P 500. O Guggenheim Defensive Equity Fund tem um beta ainda menor – de apenas 0,57 -, mas perdeu 30% em 2008.

Não importa o nome, qualquer fundo de ações vai se mover junto com o mercado de certa maneira. Há também outros indicadores que medem melhor o risco geral, como a “Relação de Sortino”, que distingue entre a volatilidade de alta e de queda. Portanto, se você realmente quiser ter alguma ideia de como poderá ser o desempenho de um fundo em uma situação de queda, terá de se empenhar mais nas lições de casa.

Se a medição dos riscos é algo que ainda confunde você, preste atenção nos ativos que normalmente não estão correlacionados aos movimentos das ações, como os fundos de “money market” (de baixo risco e alta liquidez), títulos do tesouro americano, metais e imóveis comerciais. As commodities também podem entrar nesse campo. Mas como os Real Estate Investment Trusts (REITs) – títulos que representam investimentos no setor imobiliário e são negociados como ações na bolsa -, as commodities seguiram o mesmo caminho das ações e caíram em 2008.

Quer manter as coisas simples? Incremente seu mix de bônus, reduzindo ao mesmo tempo as posições em ações, em linha com os tipos de perdas que você pode suportar. Os nomes dos fundos podem ser confusos, mas alocações diretas são um barômetro muito bom do grau de risco que você está assumindo no mercado de ações.

 

Valor Econômico de 22.8.2012.

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